Imagine a cena: um homem morre em pleno palco durante uma apresentação teatral. Uma criança assiste a tudo dos bastidores. Poucas horas depois, uma pandemia se espalha de forma irreversível, dizimando quase toda a população mundial em questão de dias. Pessoas desaparecem, cidades desmoronam e a sociedade como a conhecemos deixa de existir. Vinte anos mais tarde, um grupo de sobreviventes viaja de comunidade em comunidade encenando peças de Shakespeare. Nada disso envolve monstros ou combates, mas o impacto é igualmente profundo. Se você gostou de The Last of Us, então Station Eleven é uma série imperdível. No entanto, ao contrário de outras obras pós-apocalípticas, esta não busca assustar o espectador com violência ou criaturas. O que ela mostra é o colapso total da estrutura social e como as pessoas lidam com o trauma de perder tudo.
Baseada no livro homônimo de Emily St. John Mandel, Station Eleven é uma minissérie de 10 episódios que explora o mundo antes, durante e depois de uma pandemia mortal. A narrativa alterna entre diferentes linhas temporais para examinar como a vida das pessoas foi afetada não apenas pela catástrofe, mas também pelo que veio depois: a reconstrução, o trauma, as escolhas e os legados que restaram. O foco não está na ação, mas na sobrevivência emocional, o que a torna tão impactante. Mas, afinal, em que ela se assemelha a The Last of Us?

Assim como a aclamada série baseada no jogo se concentra na relação entre Ellie (Bella Ramsey) e Joel (Pedro Pascal), Station Eleven gira em torno das conexões humanas e de como elas evoluem em situações extremas. Não há vilões tradicionais ou ameaças imediatas. Os verdadeiros desafios são internos e psicológicos. Os personagens estão constantemente lidando com o luto, o isolamento e a incerteza sobre se vale a pena continuar. É uma abordagem diferente do que se costuma ver em histórias desse gênero, mas é igualmente envolvente. Station Eleven vai além, questionando: o que ainda define nossa humanidade quando tudo o mais se foi? E, talvez mais importante: o que ainda vale a pena preservar?
Um dos aspectos mais impressionantes da série é como ela evita o sensacionalismo. A pandemia não é usada como pano de fundo para sequências de ação ou dramas exagerados. O verdadeiro interesse reside em como os personagens tentam construir (ou perder) seu senso de identidade, propósito e conexão. Jeevan (Himesh Patel), por exemplo, começa como um homem comum que, por acaso, acaba sendo responsável por uma criança. Não há um grande momento de heroísmo – apenas escolhas difíceis e reais, feitas dia após dia. Kirsten (Mackenzie Davis), por outro lado, é alguém moldada por um trauma precoce e pela realidade de crescer neste mundo transformado. A série dedica tempo para explorar seu cenário emocional, como ela enxerga o mundo e até mesmo sua fixação por uma história em quadrinhos específica. Outros personagens, como Miranda (Danielle Deadwyler), Arthur (Gael García Bernal) e o misterioso “Profeta”, ajudam a construir este universo e trazem ainda mais profundidade à história.

Apesar da premissa sombria, Station Eleven também é construída sobre um desenvolvimento de personagem lento e deliberado – algo que ressoa com muitos espectadores que apreciam uma narrativa consistente. Se você apreciou a profundidade emocional e o ritmo mais lento de The Last of Us, esta série parecerá um próximo passo natural. Ambas as séries entendem que o que resta após o fim do mundo não é apenas ruína e perda – é também o esforço contínuo para encontrar significado, beleza e conexão humana. Enquanto The Last of Us explora a dor e a perda em um mundo hostil, Station Eleven amplia a conversa e examina o que fazemos com o que sobrou – as memórias, a arte e os pequenos hábitos que ainda nos ligam uns aos outros. Ela não oferece resoluções fáceis nem se baseia em reviravoltas chocantes. Em vez disso, retrata como é continuar em um mundo que quase se esqueceu de como viver.
A direção permanece realista e focada em detalhes: um olhar, uma pausa, um flashback. A trilha sonora acompanha esse tom, trazendo emoção sem sobrecarregar o espectador. Cada elemento da produção apoia a ideia de que o mundo não acabou de uma vez, mas gradualmente – e que sobreviver ao fim é apenas o começo. O que realmente importa é como você vive com o que vem depois. Tudo é muito bem feito, tanto técnica quanto narrativamente. Não é surpresa que a série tenha sido um sucesso de crítica.

No Rotten Tomatoes, a série detém uma aprovação de 98% da crítica, que elogiou sua narrativa madura, roteiro inteligente e direção ponderada. Também foi indicada a sete prêmios Emmy. Esta não é o tipo de série que você simplesmente coloca para tocar no fundo. Ela exige atenção e um pouco de paciência, mas se você persistir, vale muito a pena.
Se você se sentiu atraído por The Last of Us por causa de seus personagens, o peso emocional de seus relacionamentos e a forma como o passado continua moldando o presente, então Station Eleven é definitivamente uma série para adicionar à sua lista. Não se trata de sobrevivência no sentido usual – trata-se do que significa continuar. Não há monstros ou vilões aqui, mas ela mergulha fundo no tipo de fantasmas que as pessoas carregam dentro de si. Se você está procurando uma história pós-apocalíptica com personagens bem construídos, profundidade e reflexões sobre o que ainda é significativo quando tudo desmorona, esta série da Max é imperdível.
Station Eleven pode ser assistida no (HBO) Max.
Fonte: CB