Em Star Wars, o sabre de luz é, sem dúvida, o ícone mais marcante, superando androides e até mesmo X-wings. Inicialmente, George Lucas pensou em chamá-los de “espadas laser”, mas receou que o público não aceitasse bem a ideia de lâminas com um comprimento fixo. Foi Alan Dean Foster, o escritor fantasma da primeira novelização de Star Wars e de Splinter of the Mind’s Eye (1978), quem cunhou o termo “lightsaber”.
A concepção original de Star Wars remetia a um universo arturiano, o que levou Lucas a se inspirar em Excalibur. Em algumas lendas, essa espada mágica brilhava com uma luz etérea ao ser sacada da bainha. Vestígios dessa inspiração ainda são encontrados no universo de Star Wars, como os cristais kyber, que focalizam a lâmina do sabre de luz e conferem a cada um sua cor característica (a palavra “kyber” tem origem em “Caiburr”, um nome alternativo para Excalibur). E agora, 49 anos após o início de Star Wars, os sabres de luz nunca pareceram tão impressionantes.
A Lucasfilm Aprimora os Efeitos dos Sabres de Luz
Naturalmente, a Lucasfilm dedicou um esforço considerável ao desenvolvimento dos sabres de luz. Nos últimos anos, a ILM revolucionou a representação dos sabres de luz em live-action, adotando lâminas de LED de alta potência. Essa abordagem difere bastante da de Lucas, pois o efeito luminoso é integrado à cena desde o início, dispensando a adição em pós-produção. Em tese, isso resulta em um visual mais “realista”, como se os sabres fossem objetos concretos. No entanto, essa técnica apresenta duas desvantagens. A mais evidente é que a luz azul, por vezes, compromete a clareza de cenas mais escuras. O final de Obi-Wan Kenobi exemplificou esse problema.
A segunda questão, claro, é a alimentação energética. Embora os pacotes de bateria em Ahsoka fossem um pouco limitados, a Lucasfilm aprimorou a miniaturização dessas fontes de energia. É por isso que as batalhas de sabre de luz em The Acolyte foram as mais notáveis desde The Phantom Menace, proporcionando aos atores uma flexibilidade e mobilidade impressionantes. O objetivo evidente é tornar cada duelo de sabre de luz ainda mais espetacular que o anterior. A expectativa para a segunda temporada de Ahsoka é compreensível, pois ela certamente explorará algumas das inovações técnicas introduzidas em The Acolyte.
Contudo, para testemunhar duelos de sabre de luz em seu auge, é preciso ir além do live-action. É fundamental direcionar o olhar para a animação de Star Wars, que frequentemente apresenta algumas das narrativas mais cativantes do cânone. Algumas dessas animações geraram controvérsias; os sabres de luz em Star Wars Rebels possuíam uma espessura incomum, uma homenagem aos esboços originais de Ralph McQuarrie que agradou a alguns e desagradou a outros. Todavia, a série mais recente de Star Wars, Maul – Shadow Lord, eleva o patamar.
O Estilo de Arte de Maul – Shadow Lord Apresenta os Sabres de Luz em Sua Melhor Forma
Maul – Shadow Lord figura entre as melhores séries de TV de Star Wars até o momento. Em nossa análise, a descrevemos como a história de Star Wars que sempre desejamos ver; essa é a opinião predominante, com impressionantes 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes (e um notável 95% de aprovação do público). A narrativa é inédita no universo Star Wars, uma bela dança entre o lado sombrio e o lado luminoso, com foco em Darth Maul e um possível aprendiz.
E o visual é simplesmente esplêndido. O uso de efeitos de aquarela confere à animação um tom e estilo que remetem a *Arcane*, um dos maiores elogios possíveis a qualquer série, dada a beleza da produção. Esse efeito é particularmente notável nos visuais dos sabres de luz, e os combates são de tirar o fôlego. A animação se presta perfeitamente ao combate com sabres de luz, pois os animadores podem planejar cada cena com perfeição, controlando a interação entre luz e sombra. Os efeitos de aquarela conferem uma selvageria distinta ao sabre de luz de duas lâminas de Maul.
As cenas de abertura de *Shadow Lord* demonstram isso de forma excepcional. Aqui, Maul faz sua estreia (com uma releitura de “Duel of the Fates”, é claro) e ataca policiais no mundo de Janix, assolado pelo crime. Obviamente, eles não têm chance contra um Aprendiz Sith, mas a cena inteira é deslumbrante. Há até momentos em que as cores se invertem, banhando a batalha em tons de vermelho-sangue e criando uma sensação de perigo fenomenal.
A animação de Star Wars geralmente é voltada para os fãs mais dedicados. Isso explica a inclusão de elementos mais profundos, pois o público geral pode ficar confuso com o fato de Darth Maul ainda estar vivo (apesar da aparição rápida e quase esquecível em live-action no final de *Solo: A Star Wars Story*). No entanto, é uma pena, pois Star Wars nunca pareceu tão grandioso quanto com Darth Maul, e *Shadow Lord* explica tudo de maneira clara, dispensando conhecimento prévio. Esperamos que a reputação fenomenal da série atraia o público em geral.
A primeira temporada de *Maul – Shadow Lord* está disponível no Disney+.
Fonte: CB






