Markus “Notch” Persson, o idealizador do Minecraft, reacendeu a discussão sobre a pirataria de jogos com declarações polêmicas, em um momento em que o movimento Stop Killing Games ganha força na Europa. Segundo Notch, se adquirir um jogo digital não garante sua posse definitiva, pirateá-lo não pode ser considerado roubo. Essa opinião foi expressa em uma publicação recente no X (antigo Twitter), onde ele afirmou: “Se comprar um jogo não é uma compra, então pirateá-los não é roubo”
Just verifying that yes, that is what I was talking about.
If buying a game is not a purchase, then pirating them is not theft.
— notch (@notch) July 7, 2025
Essa perspectiva não é inédita. Em 2011, durante a Game Developers Conference, Persson já argumentava que a pirataria não configura roubo, pois não se retira nada de ninguém, apenas se cria uma cópia adicional. No ano seguinte, ele chegou a incentivar um fã a piratear Minecraft caso não tivesse recursos para comprá-lo, sugerindo que, se gostasse do jogo, o adquirisse posteriormente. Agora, o debate ressurge devido ao encerramento de servidores de diversos jogos e à crescente insatisfação dos jogadores com a perda permanente do acesso a conteúdos pagos.
A campanha Stop Killing Games (https://www.eurogamer.pt/movimento-stop-killing-games-ultrapassa-1-milhao-de-assinaturas) visa impedir que as empresas de jogos encerrem definitivamente os jogos online, tornando-os inacessíveis ao desligar os servidores. O caso mais recente é o de Anthem, da BioWare e EA, que será desativado a partir de janeiro de 2026. Essa prática não apenas impede que novos jogadores experimentem os jogos, mas também impede o acesso daqueles que já os compraram, questionando o conceito de “compra” no ambiente digital.
A petição lançada pelo movimento na Europa já ultrapassou 1,3 milhão de assinaturas e está prestes a ser apresentada formalmente à Comissão Europeia. Uma petição semelhante no Reino Unido já ultrapassou 180 mil assinaturas, o que levará o Parlamento britânico a discutir o assunto. O fundador do movimento, Ross Scott, enfatiza que o objetivo não é extinguir os jogos, mas assegurar que os consumidores não percam totalmente o acesso aos conteúdos pelos quais pagaram. Ele defende, por exemplo, o retorno de recursos como servidores privados, comuns em jogos mais antigos.
O setor reagiu com preocupação. A associação Video Games Europe, que representa empresas como Nintendo, Microsoft e Warner Bros., afirma que a proposta é desproporcional (https://www.eurogamer.pt/a-video-games-europe-opoe-se-a-campanha-stop-killing-games). A associação argumenta que manter os jogos online indefinidamente acarretaria altos custos, além de riscos à propriedade intelectual e à segurança. Alerta ainda que tais obrigações legais poderiam prejudicar a inovação e reduzir a viabilidade da produção de novos jogos.
Notch rebateu essas críticas lembrando que, no passado, os jogadores podiam manter seus próprios servidores, mesmo após o encerramento dos servidores oficiais pelas empresas. Para ele, esse modelo ajudava a preservar os jogos e manter as comunidades ativas, sem depender exclusivamente do suporte das editoras. Apesar de ter deixado a Mojang, o criador de Minecraft continua atento aos temas da indústria e chegou a consultar seus seguidores este ano sobre o interesse em um sucessor espiritual do jogo, embora ainda não haja confirmação sobre este projeto.
Fonte: Eurogamer